Talvez...
Às vezes, no silêncio da noite, a gente sofre pelo que não viveu. Sente aquele nó na garganta, aquela incontrolável vontade de encontrar alguém que abrace-nos. Sofre por tudo aquilo que não viu, por todo esse frio que seca a alma. Esse vazio que afasta-nos de quem somos. Sofre por aqueles que não vieram e pelos que foram embora sem dizer adeus. O nó na garganta faz-nos sentir tudo aquilo que não sentimos, tudo que desperdiçamos. Aquele sentimento indecifrável, invade-nos de maneira cruel e hostil.
Às vezes, antes de dormir, sofremos no silêncio da noite para que, ao amanhecer, as dores tenham sido amenizadas.
E, às vezes, ao nascer do sol, percebemos que elas estão ainda maiores.
Eu preciso desse olhar. Esse que ele faz ao mesmo tempo em que aperta os dentes superiores contra os inferiores, movimentando o maxilar. O olhar que parece que diz alguma coisa forte. Preciso dele. Dele. Preciso olhar pra ele, ao mesmo tempo em que olha pra mim também. Preciso daquelas palavras que só eu entendo e conheço. Daquele sorriso malicioso, que me faz querer tê-lo pra mim, pra sempre. Preciso tê-lo pra mim, mesmo não sendo meu, apenas para que eu possa ter o que preciso. A respiração ofegante e os batimentos cardíacos acelerados, de ambos, preciso. Preciso dele aqui comigo enquanto escrevo isso, para que ao final eu possa escrever “Já tenho o que preciso”.
Eu não sei o que acontece. Não sei se as coisas estão destinadas a acontecer. Fico nessa angústia. Devo fazer ou esperar acontecer? Eu quero uma vida cheia de dramas e acontecimentos. Mas não quero me ferir. Não quero ser machucada e ficar amargurada. A vida tem seus riscos, mas eu devo corrê-los? Eu poderia passar a vida toda trancada aqui. Não sou passarinho pra me incomodar, nem asas tenho pra querer voar. O que eu devo fazer? Por onde devo correr? Já ouvi todos os clichês do mundo, já os vi acontecer. Eu vi rancores e mágoas de toda cor. Isso me faz querer ficar imóvel, assustada. Será que é preciso sofrer pra entender? Mas eu não quero. Lágrimas escorrem pelo meu rosto apenas quando me imagino em uma situação de dor. Quero ser pássaro pra não aguentar essa prisão e voar, pra bem longe.
Acho que é por isso que dificulto. É uma maneira de saber quais deles realmente querem, porque esses são os que não desistem. Mas não acontece com nenhum, todos aceitam a derrota e vão embora. Só que talvez, no fundo, seja uma maneira de saber quem eu quero também. Porque eu facilitaria, de alguma forma, se realmente quisesse algum deles. Algo como não me importar de perder, se ele fosse ganhar, sabe? No final das contas, nós dois teríamos ganho. Ele poderia ir embora depois, não me importaria. Só queria um pouquinho de paixão, insistência e palavras bonitas. Constrangimento, lágrimas, tristeza e mágoas, por pior que sejam, não chegam perto do vazio que o orgulho proporciona. O que eu tenho nas mãos? Não quero mais ter que responder “nada”.
E, como sempre, as minhas dores são empurradas lá pro fundo do meu peito. Saio por aí com um sorriso torto, dizendo pra mim mesma que posso fingir. Pego as dores dos outros, sou ombro amigo e derrubo aqueles que os machucam. Solucionando problemas que não são meus, talvez seja uma maneira de evitar os que são. O problema é que a gente empurra o máximo que consegue e vai perdendo as forças. Elas vem todas de uma vez, como aquela dorzinha no peito e lágrimas escorregando pelo rosto. Pros outros, é sem saber o porquê, mesmo sabendo perfeitamente o que acontece. O que há de errado comigo? Eu sei que o fundo do peito não é infinito, porque insisto nisso?
Peço com amor

Peço com amor

As vezes a gente sente o coração apertar. É que, de vez em quando, a gente para pra pensar. As pessoas são difíceis de lidar. Estamos com elas, ao mesmo tempo em que elas não estão conosco, me entende? Gente que sorri e quando você sai, balança a cabeça negativamente. Gente que você gosta e confia, mas não tem recíproca. Aquelas que só estão com você porque você tá ali do lado, sempre. O que mais dói é poder ver tudo isso. Eu preferia ser inocente, o tempo todo, sofrer sem saber. Preferia não ver, sabe? Eu sinto tanto e acabo ficando pro lado. Daria a minha vida em troca de um pouquinho de verdade. Queria poder sentir que quando alguém diz “Eu gosto de você” fosse porque sente e não só pra mentir a recíproca. As pessoas vão comprimindo os seus espaços até apertar e não sobrar mais nada. Eu só queria saber que existe alguém ali, de lado por mim. Sendo apertado, para que eu pudesse puxá-lo de volta pra dentro.
Lá estava ele. Uma blusa quentinha e o coração na mão. Os olhos brilhantes, o sorriso hipnotizante. Aquele cabelo encantador e um cheiro que invadia todo o ambiente. Com aquela beleza que me faz sorrir com os olhos. As palavras que ele dizia se encaixam perfeitamente, como se fossem sincronizadas para serem ditas. Ele te olha e mexe com o seu emocional… ou talvez seja só com o meu. Um aperto de mão era tudo o que eu poderia ter. Lá estava eu… Sonhando acordada, pisando com cuidado, respirando devagar para não ser notada. Vendo tudo diferente dos outros, com aqueles olhos… Aqueles de quem está perdidamente apaixonada.
As vezes a gente não diz nada ao invés de ter dito sim. O arrependimento é sempre maior quando vem daquilo que não fizemos. A vontade de dar ré de forma inconsequente, é sempre maior. A gente passa por perto e sente aquele perfume forte que dá vontade de segurar forte também. A gente fica só esperando e as vezes é demais. As vezes alguém chega dizendo sim, sem demora. Seria melhor se eu pudesse caminhar até ele e dizer que eu quero, mostrar que eu quero. Falar baixinho no ouvido, passar a mão no cabelo e ficar ali até entardecer. As vezes eu queria ter dito sim, antes que fosse tarde, antes do beijo de despedida, antes que sentíssemos os corações acelerados e despedaçados.
Me encanto com cada pedacinho. A gente anda por aí, atravessa a rua e observa o cantinho da calçada, as vezes encontra algo significante ou alguns passos pela metade. Tem sempre aqueles rostos que ficam gravados e os olhares que demoram a sair da gente. Os apertos de mão que, de tão apertados, deixaram marcas. Então a gente bate palma, que é pra ver se ele volta pra perguntar se faltou alguma coisa. O abraço deixou a blusa amassada, aquela que você passou horas pra engomar, mas só percebe quando chega em casa e se olha no espelho. Aí cê pensa “Mas eu não ia brigar, ficou com o cheirinho dele”. E o cheiro passa dias sobrevoando os ares da casa. Na hora você só consegue mexer nas mãos, estralar os dedos. Olhar nos olhos? Só de vez em quando, timidamente, levantando a cabeça devagarinho. Abre aquele sorriso cabisbaixo, mas por dentro é um sorrisão, daqueles de orelha a orelha que faz uns barulhinhos, como numa gargalhada depois de uma piada boa. Os passos são um pouco lentos, que é pra acompanhar, nunca indo na frente. Chegou a hora de entrar e acenar indo embora. Mas aí tem a hora do beijo, que é um pouquinho antes. Desajeitado, sem saber qual o seu lado. Mas foi demorado, sentindo cada gostinho. Depois a gente fecha a porta e encosta a cabeça no travesseiro, encantada com cada pedacinho do dia, da estrada e do abraço que bagunçou o lado de dentro também.
O vazio é sempre pior do que a dor.
É sempre assim. Você tá cansado, enfadado, mandando tudo pro inferno, quando de repente, aparece alguém pra mudar isso. Aparece uma pessoa que vai fazer você ter paciência. Uma pessoa que vai te fazer ter devaneios. Ela vai te fazer repensar suas atitudes e ter tolerância com aqueles que jamais imaginaria que teria. Essa pessoa vai te olhar nos olhos e dizer o que você precisa ouvir. Ela vai te chatear, mas quando você vê-la novamente, vai esquecer de qualquer raiva. Uma pessoa que vai te entender, todos os seus detalhes. Essa pessoa vai te descansar, te amar e pedir pra ficar se você ameaçar ir embora. O beijo e o abraço dela vão sempre fazer o seu coração acelerar, independente de quanto tempo tenha passado. Você vai sentir o cheiro dela por onde andar. Quando estiver longe, vai contar as horas para está ao lado dela. E eu espero que você cuide bem dessa pessoa, porque ela é única. Se você perdê-la, lembre-se que o tempo só segue em frente, terá que conviver com isso pelo resto da sua vida.

theme: cerejadosundae. +
»